Terça-feira, 28 de Outubro de 2008

“Av. Paulista, 900: A História da TV Gazeta”

Este é o título do livro que Elmo Francfort prepara para 2009.

A história por trás de uma “emissora-escola” e das escadas para lugar nenhum.


Por Julia Corradi e Luma Ramiro Mesquita

“Sabe quantos anos tem este senhor que manda para o programa essas informações históricas? 80 anos? Não. Apenas 18!” As aspas são do jornalista Paulo José de Andrade, referindo-se a Elmo Francfort, durante o programa “O Pulo do Gato” da Rádio Bandeirantes.

Agora com 26 anos, Elmo Francfort é pesquisador. Oriundo de uma família de pioneiros e profissionais de diversos ramos da comunicação no Brasil, também dentro da TV Gazeta, foi um dos pioneiros na Internet sobre sites de história da televisão brasileira. Hoje é responsável pelo Museu da TV na Internet (www.museudatv.com.br) e assessor da presidência da Pró-TV, responsável pela curadoria do acervo da Associação dos Pioneiros da TV. Também escreveu o livro Rede Manchete,aconteceu virou história, sobre a história da antiga TV Manchete.

Pesquisador apaixonado por história, Elmo tinha apenas 12 anos e já ajudava seu irmão, Arthur Ankerkrone, coordenador de uma parceira da TV Gazeta em Santos, levando fitas para a sede. Ele destaca: “A TV Gazeta nunca deu grandes passos, porém é uma escola para muitas emissoras”.

Elmo afirma convictamente: “Na História da TV, a Gazeta é uma injustiçada!”. Explica que a injustiça deve-se a pouca valorização e reconhecimento que a emissora tem. Afinal, ela sempre lança nos meios midiáticos, pessoas muito talentosas como: Fernando Meirelles, Marcelo Tas, Carlos Nascimento, Silvia Popovic, Paulo Marcum, Serginho Groisman, entre outros. Além disso, ele diz que a TV Gazeta é uma emissora “Co-Irmã”, isto é, ela não coloca a disputa por audiência acima da cordialidade. Diversas vezes ela ajudou outras emissoras, como emprestando equipamentos para a Rede Globo, após o famoso incêndio. Houve também muitas co-produções como o programa Vila Sésamo, produzido pela TV Cultura e TV Globo, com equipamentos da TV Gazeta.

De acordo com ele, nas primeiras coberturas a cores de corridas de Fórmula 1, a TV Gazeta possuía os melhores equipamentos da América Latina. O segundo slogan da TV faz alusão justamente a isso: “Imagem colorida de São Paulo”. A corrida de São Silvestre também foi idealizada por Cásper Líbero e realizada exclusivamente pela Gazeta por muitos anos.

Outro aspecto importante é a identidade extremamente paulistana da Gazeta, cujo jornal impresso, foi o meio que mais apoiou a Revolução de 32. Como muitos paulistas não faziam idéia do que acontecia na capital, A Gazeta foi responsável por esse intercâmbio de informações. Atualmente, a TV possui um caráter menos regionalista.

Assiduamente empenhado neste novo projeto, Elmo pode revelar sobre a TV Gazeta o que muitos que passaram e ainda estão no meio não sabem. Ele teve acesso inclusive ao projeto inicial da planta do prédio que “é o coração da Avenida Paulista” e cujo objetivo era ser o mais alto da América Latina. No entanto, a planta original do prédio foi bastante modificada, mesmo ao longo de sua construção. Elmo atribui a isso a existência de elementos absurdos no prédio como elevadores que ninguém conhece e escadas para lugar nenhum.

A Rede Gazeta, criada em 1991, permite que os funcionários cresçam: alguns dos melhores câmeras de São Paulo começaram como office-boys. A Fundação Cásper Líbero possibilita também que muitos alunos e ex-alunos continuem na fundação trabalhando. Por ser criada a partir do testamento de Cásper Líbero, é mantida com carinho pelos funcionários e mostrou-se uma fundação solidária.

Bola: Por que você resolveu fazer o livro? Quem te pediu isso?
Elmo: Trabalho há mais de dez anos como pesquisador de TV. E recentemente lancei o livro “Rede Manchete: Aconteceu, Virou História” (“Coleção Aplauso”), da Imprensa Oficial do Estado. Para mesma pesquisei os livros sobre a Tupi, Excelsior e Paulista. E aí, o Rubens Ewald Filho, coordenador da “Aplauso”, me convidou para escrever outro livro sobre televisão.

B: O que você pretende com o livro?
E: Minha meta é registrar a história da TV Gazeta, de forma que a coloque no seu merecido lugar na trajetória da televisão brasileira. Foi a grande pioneira da TV colorida. O primeiro programa colorido, com transmissão regular, foi “Vida em Movimento” (da Vida Alves, que prefaciará o livro). Ele estreou antes da estréia oficial da TV em cores (transmissão que foi capitaneada não apenas pela Globo, mas também pela Gazeta). Muitos pioneirismos a Gazeta teve. Inaugurou até a TV colorida da Argentina. Grandes talentos surgiram aqui, como Sérgio Groismann, Faustão, Cléber Machado, Joelmir Betting, Silvia Poppovic, Paulo Markun, Marcelo Tas, Fernando Meirelles, entre outros. A TV Gazeta fez muito pela televisão. Até socorreu a Globo e a Cultura com seus equipamentos quando foram afetadas por incêndios. É uma história que merece ser registrada. E luto para que, com esse livro, a Rede Gazeta seja ainda mais respeitada pelo meio televisivo. Com a obra a maioria passará a conhecer a história da TV Gazeta. E como a "Coleção Aplauso" chega até fora do Brasil, além de todos os estados, quem sabe ajude na expansão da rede de emissoras da TV Gazeta.

B: Com a ajuda de quem você está contando?
E: O primeiro contato foi com o Sérgio Felipe dos Santos, Superintendente Geral da Fundação. Num efeito viral, fui ganhando a colaboração de todos, tanto da direção da Fundação, como da TV. Dentro da emissora, Silvio Alimari e o Fabio Rolfo foram os primeiros a me apoiarem. Hoje, sinto que a receptividade nos mais diversos departamentos. Na Gazeta Doc, que me abriu os arquivos, no Tráfego da TV Gazeta, entre os funcionários do canal, e até na biblioteca da faculdade. Era isso que eu queria: um livro feito por todos. Aliás, quem quiser dar sua entrevista, mande um e-mail para mim no elmo@francfort.com.br ou deixe um recado para mim na Supervisão de Operações da TV (6º andar) com os contatos.

B: Por que a Gazeta?
E: O Rubens sabia de minha relação com a TV Gazeta e da dificuldade em encontrar bibliografia sobre a emissora. Quando falei que possuía material e meios de conseguir mais, ele ficou entusiasmado com a idéia. Meu tio, Luiz Francfort, guardou muita coisa. Ele esteve na Gazeta por duas vezes. Ocupou cargos de chefia, como diretor artístico de Rádio e TV, e diretor-adjunto do Marco Aurélio Rodrigues da Costa (1ª diretor-geral do canal 11). Ele diz que a TV Gazeta é a “filha” dele e tenho imenso respeito por essa “prima”. Foi aqui na Gazeta que ele conheceu minha tia. Décadas depois, meu irmão (Arthur) implantou a sucursal CNT Gazeta Baixada Santista. Eu o ajudava a carregar as fitas com as matérias locais lá para o tráfego. Digo que aqui foi meu primeiro trabalho, como “office-boy”. Freqüento esses corredores desde garoto, me sinto em casa. E fico feliz de ver tantos amigos daquela época ainda hoje dando sangue pela TV Gazeta. A relação familiar que tenho com a Fundação vem antes de sua inauguração, quando meu avô Julio Francfort escrevia para “A Gazeta”. Ele conheceu Cásper Líbero. Mas isso conto em outro momento! Histórias não faltam.

A previsão de lançamento é no primeiro semestre de 2009, próximo do 120º aniversário de Cásper Líbero (2 de março). O livro chegará em um momento oportuno: próximo dos 40 anos da "nossa" TV Gazeta (25 de março de 2010).

3 comentários:

Pedro Zambarda disse...

Achei fantástico o tema e a entrevista =D

Quem é Julia Corradi?

beijos!

Laís Clemente disse...

Júú!!

Minina, como é que vc consegue tempo pra fazer matéria?

Parabéns, o texto tá bem bacana ;D

e gazeta emprestando material pra globo? quem diria...

Luma Ramiro Mesquita disse...

Foram mais de 3 horas de entrevista, ou melhor, de gravação sonora da entrevista.

Elmo foi muito gentil e contou bastante coisa. Eu havia feito minha "lição de casa" (como diria Celso Unzelte) direitinho e tinha muita informação sobre ele.