quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O novo "bom selvagem"?

Você já deve ter lido críticas falando mal de Avatar, nova obra cinematográfica em 3D de James Cameron. Pode ter visto, também, textos falando apenas dos bons aspectos técnicos do filme, que revolucionaram a computação gráfica com duas câmeras que se movimentam imitando as pupilas dos olhos humanos, as três dimensões mais fiéis a realidade (diferente de tudo o que já foi feito). Esta pequena resenha, ao contrário dos outros exemplos, pretende tratar o assunto de maneira mais equilibrada.

Não, a história de Avatar não é revolucionária. Mas isso não significa que seja ruim: os humanos viajaram 5 anos pelo espaço até chegar no planeta Pandora, que possui recursos que valem milhões de dólares e todo um ecossistema único. No acampamento dos homens, há dois tipos de liderança, sendo a doutora Grace Augustine (Sigourney Weaver) uma pesquisadora da vida alienígena e o coronel Miles Quaritch (Stephen Lang) a presença militar necessária para a sobrevivência de todos. Augustine consegue, através de um tratamento inovador, transferir a consciência humana para corpos (avatars) de habitantes chamados Na´vi, seres grandes e azuis, similares a répteis. Um dos hospedeiros dessa experiência é Jake Sully (Sam Worthington), um fuzileiro da marinha que não tem muita graduação como pesquisador, mas que se fascina por Pandora e seu habitat único.

Jake Sully e seu corpo Na´vi, um avatar: homem e alien, juntos.

Sully consegue ganhar a confiança dos verdadeiros Na´vi, povo guerreiro escondido nas florestas, ao conhecer Neytiri, uma arqueira filha do líder de um dos clãs locais. Grace se interessa pela interação de Jake Sully para conhecer mais ainda sobre os mistérios dessa espécie. O coronel Quaritch, o administrador Parker Selfridge (Giovanni Ribisi) e todo o setor militar se interessa pela investigação para conseguir chegar até as riquezas naturais do planeta sem agressão, promovendo trocas. Sully, pouco a pouco, passa a se interessar menos pelos assuntos dos dois grupos e passa a ser cada vez mais querido na tribo. Sua admiração pelo estranho e o desconhecido é comparável a do filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, que afirmava, no século XVIII, a liberdade do "bom selvagem" sendo superior comparada aos limites do homem moderno.

Cenas da guerra entre os homens e Pandora: exploração dos recursos naturais.

Falando de maneira descontraída e simples, Avatar é um conto similar ao de Pocahontas, transformado em filme pela Disney em 1995, ou ao de Iracema, escrito por José de Alencar. Todo seu enredo é sobre o que é conhecido, os homens, com o desconhecido, os Na´vi. que é fascinante. A metafora dos homens no planeta Pandora com a colonização americana é inevitável. No entanto, Cameron parte de um pressuposto diferente que valida todo seu enredo: que Jake Sully não pretende voltar a ser humano, pois ele prefere, num processo progressivo, se tornar um Na´vi, um alien, um estranho. A fascinação de Sully não é a de alguém distante do outro, mas aquela que realmente está disposta a abandonar tudo o que possui. No meio desse conflito pessoal, o coronel Quaritch começa uma guerra contra o planeta para retirar os recursos naturais à força. O filme inteiro é uma forma clara de contar como nós mesmos estamos acabando com o planeta Terra hoje, em tempos de aquecimento global.

Os cenários da floresta de Pandora não são similares com nossas vegetações terrestres. A equipe de Cameron criou uma fotografia que, mesmo mostrando diversas folhagens, consegue transmitir um mundo totalmente estranho ao nosso. Os pântanos se iluminam sozinhos na escuridão e lembram desenhos do designer, arquiteto e especialista em capas de CDs de música Roger Dean. Avatar tem arte conceitual muito similar aos álbuns de bandas de rock progressivo como Yes e Gentle Giant.

Não vou contar o final do filme, mas James Cameron deixa brechas abertas o suficiente para ter uma continuação ao nível de Star Wars. No entanto, para que o feito seja possível, ele terá que desenvolver a história usando a demora de viagem entre os homens, além da transformação dos próprios personagens que já aparecem nesse capítulo. Ele terá, como George Lucas fez em O Império Contra-ataca, aprofundar todos os pontos que apareceram apenas superficialmente na história de Jake Sully, o novo "bom selvagem".

Veja abaixo o trailer do filme e um vídeo explicando sobre a tecnologia estereoscópica usada por Cameron no filme:



terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Morre James "The Rev" Owen Sullivan


Baterista da banda de heavy metal com influências do punk, Avenged Sevenfold, James Sullivan faleceu nesta segunda-feira, na Califórnia, aparentemente de causas naturais. No entanto, o rapaz tinha apenas 28 anos. A perícia ainda fará uma autópsia, para saber os reais motivos do falecimento. Apesar de ter negado o uso, a revista Revolver alegou em 2006 que o músico era usuário de cocaína.

Avenged Sevenfold: banda de Sullivan tem influências de heavy metal e punk rock.

Abaixo, você pode conferir os Sevenfold tocando The Beast and The Harlot, para conhecer melhor seu trabalho e a bateria de Sullivan, quando ainda estava na banda.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Especial de Natal: Oprah Winfrey e a família Obama

Abaixo, segue o vídeo do especial para a TV americana ABC feito pela apresentadora Oprah Winfrey com a família Obama feito no começo deste mês. Os comentários de Michele e do presidente Barack Obama inspiraram a crônica Obama e seu primeiro ano: 2009, postada neste blog. Resumindo: eles conversam sobre curiosidades da Casa Branca no Natal e um balanço do governo, em inglês.

Obama e seu primeiro ano: 2009

Poster de Obama por David Choe.

Em 2008, ele foi a sensação do twitter, com uma campanha antenada com a internet até ser eleito presidente dos EUA. É o primeiro negro a ocupar o maior cargo na maior potência econômica, política e militar do mundo. Seu mote de marketing - Change - trouxe, de fato, uma experança para o mundo, além de ser uma experiência que muitos querem repetir na comunicação.

No mês de outubro deste ano, ele foi premiado com o Nobel da Paz, um título inesperado para ele, defensor do reforço de atividades militares no Afeganistão. O motivo desse reconhecimento foram suas visitas e atuações diplomáticas no Oriente Médio e em países que estavam contra os Estados Unidos. Mesmo assim, ele destacou um reforço de 30.000 homens para as terras afegãs no começo de dezembro. Além dessa ação claramente política, nenhum acordo foi fechado na Conferência Climática de Copenhague, a COP15, mesmo com Barack Obama apoiando a formalização do controle de emissões.

Esses pontos paradoxais, somados aos conflitos de sua gestão interna, especialmente no setor público, mostram que ele não é mais o representante pacífico da presidência americana, mas um gestor em uma crise. Não podíamos esperar menos dele, mas um ar de decepção paira no ar, mesmo para não-americanos. Esperamos demais dele? Esperamos demais da política? Esse sempre foi um debate que deveríamos fazer com mais frequência, mas que não fazemos. Depositamos na eleição norte-americana uma esperança sem nos dar conta que questões climáticas e políticas também dependem da cidadania de cada um de nós.

Honestamente, não esperava menos da administração de Barack Obama. Continuo contra suas ações militares no Afeganistão, mas concordo que há mais lógica lá do que o Iraque, por ser base terrorista do grupo Al-Qaeda. As questões são quando nós vamos ver sempre as mesmas coisas de um governo com tamanha influência e se vamos longe agindo apenas como observadores deste cenário, hoje. A esperança não (pode) deveria morrer.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Os milímetros entre o jornalista e o escritor

Na Avenida Angélica, no bairro da Consolação de São Paulo, em um prédio antigo, com a entrada uma confusa sem muita sinalização e elevadores arcaicos, um senhor abre sorridente a porta de seu apartamento no último andar, receptivo como se conhecesse a visita antes da entrevista. O diálogo começa quando o senhor, vestido de traje social, com um colete de lã por cima da camisa, se encosta na cadeira de balanço, meticulosamente colocada ao lado da lareira.

O personagem, o cenário e a atmosfera mostram-se extremamente literários, ricos em detalhes e histórias. A volumosa decoração, entre muitos quadros e pequenos objetos, são em sua maioria presentes dados à Cremilda Medina, sua esposa, na época em que trabalhava no Caderno 2 do jornal O Estado de São Paulo. Nada mais apropriado para o escritor e jornalista Sinval Medina, ficcionista histórico (estilo que prefere chamar de “fundacional”), autor de uma vasta obra literária: 4 romances, 3 novelas infanto-juvenis, 2 livros de histórias infantis em versos, 1 dicionário de História, além de ensaios publicados na revista Novo Pacto da Ciência da ECA/USP e outras narrativas publicadas em antologias.

Contudo, a placidez e a serenidade de Sinval faz tudo parecer mais simples. “Sou um sujeito mais comum do que você pode imaginar. Sem nada de muito interessante do ponto de vista midiático.” diz. “Sou muito certinho” Sinval, se define. Colorado roxo, Sinval nasceu em Porto Alegre, em 1943, em uma família de classe média. Aos 17 anos, já tecia textos de ficção e teve o acesso à literatura não só muito rápido, mas também muito incentivado principalmente por seus pais. “Tive uma infância modesta, mas sempre tive estímulo e facilidade para estudar”, conta.

Seu pai, um executivo na área de vendas de uma multinacional, “era um leitor eclético e, nesse sentido de cultura literária, ele era autodidata”, relembra. A mãe de Sinval, dona de casa, também gostava muito de ler e nunca trabalhou. Porém, “criou quatro filhos”, brinca o escritor de riso solto, o único homem entre as três irmãs, sendo uma já falecida.

No ano de 1964, ele se formou em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e relembra o golpe militar de uma maneira bem inusitada. “Houve um atraso e a data da nossa formatura era 31 de março de 1964. No dia do golpe nós estávamos participando da solenidade da formatura”, declara. Com a repressão política, Sinval paralisou a publicação de sua produção literária, temendo o risco de ter os escritos apreendidos. “Fui escrevendo e colocando na gaveta”, revela. Publicou o primeiro romance, Liberdade Condicional, somente em 1980, quando o regime estava se abrandando. Foi também na UFRGS que o ficcionista conheceu, em um cursinho pré-vestibular, a futura professora Cremilda Medina, com quem está casado há 45 anos e tem um casal de filhos, sendo a mais velha com 43 e o mais novo com 40 anos. “A partir daí a gente praticamente conviveu todos os dias”, declara. “Além da convivência doméstica a gente tem uma convivência profissional e intelectual muito intensa”, diz.

Mesmo colaborando na área de comunicação em Porto alegre, trabalhou primeiramente como funcionário público no Banco do Brasil e mudou-se para São Paulo em 1971, quando a esposa conseguiu uma bolsa de estudos para o primeiro curso de pós-graduação da ECA e, paralelamente, Sinval também conseguiu a transferência para o sudeste. O escritor relata que, nesse momento, ou continuava burocrata para o resto da vida ou deixava a função. “Podia até virar Ministro da Fazenda. O Maílson Ferreira da Nóbrega entrou no Banco no meu concurso. Eu corria esse risco” ri Sinval.

Apesar de somar 17 anos trabalhando na editora Abril como jornalista, chegando a ser editor-chefe da revista Boa Forma, prefere a posição de escritor ficcionista pois “o dia-a-dia da redação é algo terrível para alguém que quer escrever”, indaga. Teimoso, chegava mais cedo à redação para poder se dedicar aos seus escritos; uma de suas obras, Memorial Santa Cruz, de 1983, foi em maior parte escrito na redação.

Prêmio Passo Fundo de literatura em 1999 (com o livro Tratado da altura das estrelas), Sinval Medina tece seus textos dentro do “gênero fundacional”, como define o escritor. O grande mote de suas obras é a fundação da cultura brasileira ou, basicamente, a tentativa de responder à pergunta: o que é ser brasileiro? Sinval procura fatos e personagens históricos e vai adicionando ficção à narrativa. Apaixonado por História, o escritor desenvolve uma pesquisa extremamente profunda tanto para encontrar seus personagens quanto para ambientar a história. “Ele vai a fundo para pesquisar coisas sobre esses livros, ele vai a arquivos, vai a bibliotecas, conversa com pessoas, vai atrás, levanta dados históricos, vai nos lugares onde os personagens sobre os quais ele vai escrever viveram” comenta Pedro Ortiz, diretor geral da TV USP e professor de Telejornalismo da Cásper Líbero, amigo do escritor. “Ele tem esse outro lado que é o de pesquisador”, conclui. O próximo livro do escritor, com previsão de lançamento para o fim de 2009, segue também essa linha editorial e será sobre Cristóvão Pereira de Abreu, pioneiro do tropeirismo no século XVIII, que abriu caminho por terra entre o Uruguai e São Paulo.

Extremamente metódico, herdou muitas coisas do jornalismo que aplica à vida de escritor. Sinval escreve todos os dias e, quando envolvido em um projeto, lê de 4 a 5 horas sobre o assunto que está digerindo. Ao final dessas sessões, costuma elaborar uma pauta para o próximo dia. “No pé no que eu acabei de escrever, eu faço uma pequena pauta do que eu vou fazer no dia seguinte”, detalha. Pela parte da manhã o escritor lê, todos os dias, O Estado de S. Paulo e a Folha de S. Paulo e, à tarde, relê, refaz ou continua escrevendo seus textos e tenta manter um ritmo entre 60 e 70 linhas diárias. “Digito textos diariamente. 3 horas, 4 horas por dia e nunca deixo de escrever”, revela.

Elogios não faltam para esse apreciador de vinhos, que adora cozinhar. “Brigamos muito na cozinha porque ambos gostamos de cozinhar e cada um quer fazer o principal e não o trabalho subserviente”, brinca Cremilda. Receptivo e muito bem humorado, o escritor mostra-se, de acordo com os amigos, sempre disposto a conversar sobre os mais diversos assuntos. “Ele é uma pessoa extremamente acessível está sempre disponível, simpático, então isso aproxima muito das pessoas”, elogia o professor Pedro Ortiz. Quando perguntada sobre o que mais gostava no marido, Cremilda, dona dos “40 anos de motivos”, dedicatória em um dos livros de Sinval, a resposta é curta e terna: “Tudo”.

Imagens: Cauê Fabiano

Surinamenses atacam imigrantes no Natal

Na cidade de Albina, no Suriname, país divisa com o Brasil e a Guiana Francesa, ocorreu conflito entre imigrantes brasileiros e chineses com habitantes locais. Segundo dados do padre José Vigílio, da rádio Katólica surinamense, a violência aconteceu nas festividades de véspera de Natal, e se seguiu por horas.

Há registros de 20 estupros de mulheres no tumulto, além de 90 brasileiros e 31 chineses feridos. O conflito começou por causa de uma agressão a um surinamense, tendo como suspeito um brasileiro. Os habitantes locais incendiaram casas e cometeram inúmeros atos violentos. O padre afirma que há 7 óbitos no acontecimento. Autoridades do Itamaraty e do Ministério de Relações Exteriores estão tomando providências para os feridos.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O influente Papai Noel de Thomas Nast

É verdade que a empresa de refrigerantes Coca-cola divulgou a imagem de Santa Claus, o Papai Noel (Papai Natal, em Portugal)? Sim, a afirmação é verdadeira e marcou o começo do século XX. No entanto, o criador do velhinho Noel nem de longe é de uma marca de bebida. Trata-se do caricaturista e quadrinista alemão Thomas Nast, que desenhava o períodico americano Harper´s Weekly.

Responsável pelas primeiras charges políticas, que surgiram na modernização da imprensa dos Estados Unidos, Nast criou a imagem atual do Papai Noel em 1863: um velhinho gordo, com roupa de cores vermelha, branca e preta. Antes de seus desenhos, a figura natalina era desenhada magra, e se assemelhava a diversas personalidades de diferentes folclores, desde o deus nórdico Odin até santos cristãos.

Thomas Nast criou figuras marcantes na sociedade conservadora americana. Alguns exemplos são o elefante do Partido Republicano, o burro do Partido Democrata e até o Tio Sam, ícone cultural nos EUA.

O Harper´s Weekly: A Journal of Civilization era uma revista novaiorquina que durou entre os anos de 1857 e 1916, trazendo notícias nacionais, internacionais, ficção, humor e ensaios. Thomas Nast ficou famoso nesse periódico por cobrir a Guerra de Secessão fazendo charges e, além de criar os símbolos dos partidos, apoiar candidatos em cada eleição, mudando de lado de acordo com a conveniência do momento.

Papai Noel é um trabalho na imprensa que prova como a cultura norte-americana influi em festividades no mundo todo, mesmo que a origem do ícone seja de inúmeras mitologias. E, definitivamente, o velhinho não é apenas produto da propaganda de refrigerantes.

Pintura Merry Old Santa Claus, um dos desenhos clássicos de Thomas Nast no Harper´s.
Publicado em 1º de janeiro de 1881, com todos os elementos que consagram o Papai Noel hoje.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Bola da Vez #8 - Mais Videocasts

Seguindo a mesma programação do último Bola da Vez, vídeos pra você conferir aqui, no Bola da Foca, mesmo.



- Videoreview Delfos: Site de jornalismo parcial e com opinião não poderia trazer uma resenha cinematográfica diferente. Apesar do microfone baixo do jornalista Carlos Eduardo Corales, a fala dele é bem humorada, informa bastante sobre o novo filme de James Cameron, Avatar. Vale a olhada.


Videocast #1 - CinemaSom do CinemaSom no Vimeo.


- Cinemasom: Videocast apresentado pela jornalista Gabi Lima, recém-formada na faculdade. No ritmo de Star Wars, acompanhado por uma conversa descontraída, eles falam sobre a trilha sonora de John Williams. São iniciantes, mas tem potencial.




- Ah! Tri né! Entrevistas: Canal de vídeos da blogueira Dani Koetz, reconhecida por inúmeras revistas como uma das maiores blogueiras do Brasil. No vídeo acima, ela conversa com o apresentador de TV Rafinha Bastos sobre sua carreira na internet.